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segunda-feira, 24 de abril de 2017

Apenas os fracos aceitam a superficialidade

A imagem pode conter: 3 pessoas, pessoas sentadas e texto 
(Fonte: The Crown)

"Em alguma noite nós acordaremos pro carnaval da vida;
A beleza do passeio adiante, um inacreditável êxtase.
É difícil acender uma vela, mais fácil amaldiçoar a escuridão.
Este momento, o amanhecer da humanidade, 
O último passeio do dia"

Last Ride Of the Day - Tuomas Holopainen


Apenas os fracos aceitam a superficialidade. Apenas os fracos apreciam, convivem e desenvolvem o superficial. Porque é mais fácil, porque é mais bonito. Porque o superficial lhes propicia menos decepções, uma vez que não se pode decepcionar-se com o que não se conhece. Vivendo o superficial, a vida deles não passa disso. O entendimento deles não passa disso. O renascimento deles não passa disso. Os risos tornam-se superficiais, os relacionamentos, as alegrias, e até mesmo as tristezas. Eles não se entendem porque não conseguem acessar o profundo, pois aprenderam a viver na superfície. Não podem alcançar o que não conhecem. Só conseguem raciocinar sobre si mesmos na superfície em que estão acostumados, o que faz com que não encontrem muitas respostas, ou encontrem respostas incompletas.

“Conhece-te a ti mesmo” – Uma das mais antigas sabedorias.

Só é possível conhecer a si mesmo e conhecer o outro indo além. Quando se mergulha dentro do mar dos sentimentos, a profundidade não existe mais. A cada passo dado, a vida tem mais sentido, o mundo e suas peculiaridades têm algum significado e a vida na superfície não tem mais graça. A vida na superfície se torna vazia e você entende a tristeza dos superficiais. Aqui, a arrogância perde cada vez mais a sua razão de ser, pois, quanto mais se desce, mais coisas horrendas é possível encontrar, assim como belas. As horrendas vêm primeiro, no entanto, e por isso também os fracos não conseguem prosseguir, porque é difícil ver as coisas atrozes que jazem dentro de nós. Como ficará seu orgulho quando você perceber o quão abjeto você é? Como você se sentirá quando perceber seus próprios embustes? Por isso a arrogância não tem espaço aqui, porque ela nunca será forte o suficiente para enfrentar todas as verdades que o profundo mostra. Mas o belo... Ah, o belo. Ele é muito maior. O belo é maior porque coisas boas também jazem ali, mas também porque o aceitamento de suas próprias atrocidades é ainda mais belo. O aceitamento de si mesmo é tranquilo, é bonito, é forte e é paz.
O aceitamento de si mesmo ainda trará o aceitamento dos outros. E o aceitamento traz mais conhecimento. O conhecimento provoca sempre o estado de confusão, onde o orgulho tenta criar justificativas para o que foi descoberto. Se ele vencer, o estado de confusão não terminará e não será possível avançar. Para avançar ao profundo é preciso estar tranquilo, e para isso é necessário reconhecer e aceitar as piores torpezas encontradas até então. Portanto, o caminho ao profundo é exercício de humildade, é o caminho do conhecimento e é evolução. O caminho ao profundo é fatalidade, porque todos, um dia, mergulharão. A vida na superfície é vazia, é vaga, é sem graça. Não é possível compreender a felicidade vivendo na superfície. E não há sequer um ser pensante que não almeje a felicidade.


É preciso ser forte para mergulhar, é preciso ser forte para se conhecer, é preciso ser forte para se aceitar, é preciso ser forte para ser feliz.


Manoela Brum
Inspirado, entre outras coisas, no texto: Sete hábitos de pessoas cronicamente infelizes (http://www.portalraizes.com/7-habitos-de-pessoas-cronicamente-infelizes/)

sexta-feira, 24 de março de 2017

Você me tirou a última rosa branca


Você ri. Mesmo sem saber você ri e me rouba cada pequena gota que eu pude ter de algo que jamais me pertencerá. 
Você é a sereia que, após cantar, retorna para o mar, mergulha o mais profundo que pode mesmo sabendo que nada encontrará. 
Foi um nada que tornou-se tudo e retorna ao nada. 
Foi um momento que tornou-se silêncio. 
O silêncio que tanto me atordoou por tanto tempo. 
O silêncio que foi barulho, poesia e vácuo. 
O silêncio que foi perfume e lembrança. 
O silêncio que ficou, o silêncio que se foi.
Sinto sede pelas pequenas gotas de chuva que ainda restavam. 
Mas a sereia as levou.

A rosa que ganhei não vingou, 
a poesia que criei não ficou, 
a alma que almejei não voltou.
Mas eu ainda permaneço aqui olhando para as ondas
esperando que elas tragam de volta minha sereia, meu cisne.

Manoela Brum

segunda-feira, 6 de março de 2017

Medo, o Monstro

Ela abriu a porta devagar, não queria vê-lo, não queria que ele a visse. Logo que abriu a porta ouviu o piano, ele estava tocando piano. Ao abrir uma fresta maior, passou a enxerga-lo. Lá estava ele, tocando calmamente o piano, fazendo soar ao resto da casa uma melodia sublime. Cada tecla que os dedos dele empurravam fazia alguma fibra de sua alma vibrar, era como se o corpo dela fosse uma extensão do piano. Sentindo isso e olhando para ele ficou ali, vendo como tocava, vendo todo sentimento que colocava no que fazia. Ela sentia o sentimento que ele transmitia, mas isso a fazia sentir ainda pior. Ele fazia tudo aquilo que fizera naquela manhã com ela e depois, simplesmente sentava-se ao piano, serenamente, despreocupadamente, de maneira a coroar o momento tão desprezível com algo tão sublime como o som que suas mãos faziam sair daquele instrumento. Onde isso haveria de chegar? Como ele conseguia, após tê-la raptado para abusar sexualmente dela, tanto tempo quanto lhe fosse aprazível, simplesmente não sentir culpa e sentir-se tão ameno e alegre? Nenhum ser humano normal conseguiria agir desta forma. Ela pressentia tudo o que a esperava, e não queria passar por isso. Sim, qualquer coisa que lhe acontecesse seria melhor do que ficar naquela casa, à mercê daquele homem, daquele louco, e ter de aguentar tudo o que ele pretendia fazer com ela com o passar do tempo.
Isso era o que inundava sua mente enquanto ouvia aquela delicada melodia que se desenhava através das mãos de Tom. De fato, alguém capaz de fazer tudo o que havia feito com ela não parecia capaz de transmitir algo tão singelo através de sua música, mas o que ela não havia percebido é que a singeleza não estava presente somente nas músicas que ele tocava ao piano. Todo seu plano macabro fora envolto em zelo para que nada de mal atingisse sua vítima, para que ela chegasse intocada até ele. Uma vez em sua presença, fora rude, mas vestiu sua brutalidade em atitudes afáveis para que fossem fortes, mas minimamente descorteses. Há muito tempo já não conseguia mais sentir de forma suave, e se ele realmente fosse louco, essa era sua única loucura.
Suas mãos tremiam e seus olhos vertiam água. Ela sentia raiva e sentia como se seu corpo lhe clamasse para que tomasse alguma atitude. Mais que isso, sentia-se implorando a si mesma para não deixar-se passar por tudo o que imaginava que passaria. Mas sentia-se sem opções, caída em um buraco donde não teria como sair, e estaria sempre à espera dos favores dele, à mercê de suas vontades. Então lembrou-se das facas que jaziam afiadas no faqueiro na cozinha. Sentiu medo por imaginar que ele, em algum momento, usaria-nas contra ela e segurou ainda mais firme a porta, fechando-a silenciosamente. Quando a porta se fechou, o silêncio se fez em volta dela. Sem poder ouvir o som do piano, ouvia o som de seu próprio choro. O silêncio trouxe consigo uma imagem que tomou conta de sua mente e fê-la parar de chorar imediatamente. A esperança cresceu de uma só vez dentro dela. Havia imaginado usar uma das facas para machuca-lo, ele estava concentrado e não a veria chegando perto. Ela podia cravar-lhe uma faca no pescoço, ou cortar-lhe a garganta. Podia ainda tentar golpeá-lo nas costas, se ele não a visse chegando não teria tempo de reagir, se ela fosse certeira em seu ataque, conseguiria impossibilitá-lo e conseguiria fugir. Secou os olhos e abriu a porta devagar. Ele estava ainda imerso em sua música. Com os pés descalços para fazer-se mais furtiva desceu as escadas sem ser percebida. Uma vez no andar de baixo, foi rapidamente à cozinha e pegou a faca de tamanho médio. Foi rapidamente até a escada e, antes de subir, resolveu esconder a faca dentro de sua blusa para o acaso de ele parar de tocar antes que ela pudesse se preparar. Algo em sua mente soprou-lhe a dúvida sobre o que fazer se não conseguisse concretizar seu ato, como reagir então perante ele? Ela calou seu pensamento, não permitia-lhe a possibilidade de errar. Seria uma chance única, deveria agir rápido. Subiu as escadas e assim que pode vê-lo, diminuiu o passo e concentrou-se.
As mãos ágeis de Tom batiam incansavelmente sobre o teclado do piano fazendo soar pela casa uma melodia agradável e inquietante. Totalmente imerso em seu prazer, ele nem cogitava o que desenhava-se atrás de si. Lana, imersa em sua adrenalina, preparava-se cuidadosamente e analisava a melhor forma de ataca-lo. Ele estava movimentando-se mais agora, por tratar-se de uma música mais agitada, então ela não poderia tentar golpeá-lo de uma só vez, pois, tinha mais chances de errar, havia maior possibilidade de que a faca não atingisse o local certo e de que ele desviasse, e, se ela perdesse essa chance, sabia que não haveriam outras mais. Imaginou que a melhor forma seria, num movimento apenas, puxar a cabeça de Tom para trás segurando firme em seu cabelo comprido e enfiar a faca em sua garganta. Tudo o que ela precisava era ser rápida e não hesitar. Em um movimento cortava-lhe a garganta e estaria livre dele. Ou, se errasse um pouco, ele já estaria machucado e ela teria mais facilidade em se defender. Já posicionada em suas costas, perto o suficiente para alcança-lo em um passo largo, sentiu que o medo quase lhe fazia hesitar. O medo fez com que seus olhos enchessem-se de lágrimas e sua mão começasse a tremer. Ela percebeu que se hesitasse por mais um momento não conseguiria vencer-se a si mesmo para proteger-se de si mesmo. Deu um passo, com a mão esquerda puxou o cabelo de Tom e com a faca sendo empunhada o mais firme possível na mão direita, tendo o vértice apontado para si para posteriormente adentrar o pescoço de Tom, fez o movimento para atingir o pescoço de seu algoz. Pôde enxergar a faca entrando no pescoço de Tom enquanto exercia sua ação.
Tom, ao trocar para uma nota mais grave viu algo reluzindo sobre a superfície negra do piano e levantou os olhos até a origem para identificar o reflexo. Quando olhou para o reflexo viu alguém atrás de si com algo pontiagudo, mas não conseguira definir exatamente o que vira, pois sentiu sua cabeça sendo puxada para trás. Então enxergou a faca vindo ao seu encontro, mas teve tempo de segurá-la. Lana, ao perceber que Tom havia conseguido segurar seu braço, puxou-o, deitando a faca, colocando o lado da lâmina próximo ao pescoço de Tom e utilizou a mão que segurava seu cabelo para apoiar o lado cego da lâmina e dar-lhe maior força e firmeza ao puxa-la em direção ao pescoço dele. Dado a velocidade dos movimentos e a determinação de Lana em fazer com que a parte cortante da faca atingisse Tom, ele não pode segurar a faca como tentava, sendo obrigado a segurar com a mão esquerda a faca em sua parte cortante. Lana sentiu que a faca atingira a pele e puxou-a para o lado direito, para que ela cortasse a garganta de Tom. Tudo aconteceu tão rápido que ela não percebera, no entanto, que Tom havia colocado sua mão esquerda para proteger-lhe o pescoço e o gemido que ela ouvira e pensara que fora por conta de atingir o pescoço de Tom, fora, na verdade, por haver cortado sua mão esquerda que estava entre a faca e o pescoço.
Tom segurou com a mão direita a faca, depois que ela havia machucado sua mão esquerda, conseguindo desarmar Lana, que, estando nas costas dele, ainda achava-se vitoriosa. Ela, lentamente deslocou-se, mantendo certa distância, para o lado esquerdo de Tom, para verificar o estrago que deveria ter feito. Tom resmungava de dor, de cabeça baixa. Sua mão esquerda estava escondida a frente do seu corpo e a mão direita, com a faca suja de sangue, estava escorada sobre o piano.
O eco do piano já extinguia-se no ar, dando lugar ao silêncio. Tom havia parado de gemer e estava com a respiração alterada. Ele levantou a cabeça e olhou-a nos olhos. “Era para ele ter conseguido levantar a cabeça?” Pensou ela ao sentir seu corpo estremecer com o olhar dele. Seu olhar estava furioso, seus olhos estavam avermelhados, parecendo que deles verteria sangue, ela não entendia o que estava acontecendo. Ele, ainda encarando-a, levantou-se do piano, lentamente. Abriu sua mão e olhou-a, ela vertia sangue. Lana olhou para o pescoço dele, que não estava machucado, mas vira sua mão sangrando. Demorou alguns segundos para que percebesse que havia atingido a mão dele, em vez do pescoço, mas quando percebeu, sentiu o terror tomando conta de si. Sentiu o ar sumindo dos seus pulmões e seu corpo paralisando-se. Não conseguia respirar, não conseguia engolir a saliva, não conseguia se mexer. Ela sabia o que significava aquilo.
Olhou nos olhos dele, estavam impetuosos e ferozes. A fúria parecia querer sair pelo seus olhos para tomar-lhe o corpo. Sentiu suas mãos tremerem e seus olhos ensoparem-se. Tom deu um passo na direção dela. Ela tentou movimentar-se para trás, mas mal conseguia mexer-se, estava totalmente estarrecida. Ele olhou vagarosamente para a faca em sua mão direita e tornou a olhar para ela. Ela sentiu que a consequência tão negada por ela mesma em sua mente estava tomando forma a sua frente.
- Eu alguma vez maltratei você?
A pergunta dele, em tom baixo a chamou de volta para si, mas ela não sabia o que responder, as lágrimas escorriam em seu rosto e o pavor que sentia impedia-a de raciocinar sobre qualquer assunto.
- Eu alguma vez maltratei você?! – Gritou, impaciente.
- Não! – Respondeu ela, impulsivamente, por medo e susto. Ela nunca o havia visto levantar a voz. Aquele olhar furioso, avermelhado e úmido sobre si e aquele grito, desestabilizaram-na mais ainda, ela não sabia o que fazer, não sabia o que pensar, nem mesmo o que sentir.
- E é assim que você me retribui?! – Gritou novamente, atirando violentamente a faca ao chão.
Ela assustou-se novamente e desandou a chorar, encolhendo seus braços em frente ao corpo como um instinto de proteção.
- Desculpa – Falou ela, sem que sua voz, no entanto, conseguisse alcançar o ar através dos seus soluços. Pelos olhos nem mais conseguia enxerga-lo direito através da barreira que suas lágrimas formavam.
Dando vasão à sua fúria, Tom deferiu-lhe um tapa no rosto com as costas de sua mão direita, arrancando-lhe um rangido de dor e jogando-a ao chão com a força de sua bofetada. A forte pancada no rosto a deixou alguns instantes fora de si. Assim que voltou a si, sentiu uma dor e uma ardência imensurável em sua face esquerda e gosto de sangue em sua boca.
- Para o quarto agora! – Gritou Tom enquanto a segurou demasiadamente forte pelo braço e a jogou para o lado do quarto.
Ela foi imediatamente para o quarto, o mais rápido que conseguiu, e se jogou na cama, permanecendo sentada sem conseguir controlar seus soluços desesperados. Aqueles segundos foram infinitos. Tudo passou pela sua cabeça, desde as carícias delicadas de Tom na primeira vez que obrigou-a a fazer sexo com ele até seus próprios pensamentos transformando-o em um monstro. Ela percebeu que havia cometido um grande erro e que teria que pagar por ele, e o medo tomava conta de seu corpo não permitindo que controlasse seu choro.

Segundos depois ele abriu a porta vagarosamente e de lá a encarou. Ela sentiu seu corpo gelado e seu destino traçado.


Manoela Brum

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Graça miserável escondida

https://www.youtube.com/watch?v=P_YVvNrQ6fs

Viver sem saber o que vive, essa é a brincadeira.

Jamais erguer as cortinas, pois o que sinto não pode ser sentido. 
Ou antes, sentido é a única coisa que pode ser.

Explicado? Nunca. 

Justificado? De forma alguma. 

Contado? Apenas de um jeito que o mantenha guardado. 

Realizado? É uma palavra sem significado, para a alma que a alma nunca poderá ter; 
Para a pele que a pele nunca terá o prazer de tocar; 
Para o perfume que ao perfume nunca poderá se misturar; 
Para o sentimento que no sentimento nunca poderá se dissolver.

Manoela Brum

domingo, 20 de novembro de 2016

Crowning the moment

Eu andei por entre as nuvens.

Senti os raios do sol antes que pudessem tocar a terra.

Senti a brisa da chuva antes que ela se tornasse.

Fui levada pelo vento até o início do mundo.

Mas, eis que entrevi as montanhas, e não pude me desviar delas.

A visão do horizonte foi magnífica, mas seu impacto foi doloroso.

Caída sobre elas, sem a coragem do vento ou as carícias da chuva, entreguei-me às pedras que vi rolando.

A natureza tomou-me mais uma vez mostrando-me sua beleza.

Com meus dedos feridos por escalar suas pedras, cheguei ao topo e te dominei, ó imponente montanha orgulhosa.

Agora te enxergo por inteira, pois sobre ti estou.

Vejo todos os seus embustes, mas a visão que me dás, ainda me deslumbra.


Manoela Brum

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

What should be lost is there

"Eu ainda sinto. Está guardado, está calado, mas está ali, está vivo. E cada sorriso se transforma num doce momento, assim como cada doce momento torna-se mais um sorriso."

Eu poderia lhe dar o mundo,
Mas você não aceitaria.
Eu poderia fazer de tudo,
Mas em ti nada nasceria.
No fim, devo eu apenas aceitar
Que o maior, mais doce e suave
Sentimento, guardado deve estar.

Manoela Brum

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Deixe-me ser

Deixe-me ser.
Deixe-me ser um pedacinho do chão que você pisa.
Deixe-me ser.
Deixe-me ser um pouquinho do ar que respira.
Deixe-me ser.
Deixe-me ser o vento que acaricia a sua pele,
Os lábios que recebem seu sorriso,
A razão, que à vida te impele.

Manoela Brum